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Segurança elétrica

String box, DPS e aterramento: a parte elétrica que ninguém vê

Por Redação Hypersolar · 29 de setembro de 2026 · Leitura de 6 minutos

Interior de uma string box aberta com dois dispositivos de proteção contra surtos, chave seccionadora vermelha, porta-fusíveis e barramento de aterramento verde-amarelo
Dentro da caixa cinza: fusíveis, seccionadora, protetores de surto e o barramento de aterramento.

Quando o sistema fica pronto, o morador olha para o telhado e para o inversor. Quase ninguém abre a caixa cinza fixada ao lado dele. É nela, porém, que está a diferença entre um sistema que atravessa uma tempestade sem incidentes e outro que precisa de manutenção depois de cada temporada de raios. Este texto explica, componente a componente, o que há dentro da string box e nos circuitos ao redor dela, e termina com um checklist para o dia da entrega.

Por que o lado de corrente contínua exige cuidado especial

Entre os módulos e o inversor a energia circula em corrente contínua, com tensões que em arranjos residenciais chegam facilmente a 400 ou 600 volts. Diferentemente da corrente alternada, que passa por zero cem vezes por segundo e ajuda a extinguir arcos elétricos, a corrente contínua mantém o arco aceso. Um conector mal encaixado ou um cabo com isolação danificada pode sustentar um arco por tempo suficiente para derreter plástico e iniciar fogo. As proteções descritas a seguir existem para interromper, desviar ou impedir esse tipo de falha.

Os componentes, um por um

Chave seccionadora

É o interruptor vermelho ou preto que desliga o arranjo de módulos do inversor. Precisa ser específica para corrente contínua, com tensão e corrente nominais compatíveis com o arranjo, e capaz de abrir sob carga. Serve para manutenção segura do inversor e para desenergizar o lado CC em emergência. Sua posição deve estar identificada e acessível.

Fusíveis de fileira

Quando há duas ou mais fileiras em paralelo, uma fileira com falha pode receber corrente reversa das outras. Fusíveis do tipo gPV, dimensionados conforme a corrente máxima admissível indicada pelo fabricante dos módulos, protegem contra essa condição. Em arranjos com uma única fileira por entrada do inversor, a norma admite a ausência de fusíveis, o que confunde quem compara instalações diferentes.

Dispositivo de proteção contra surtos (DPS)

Descargas atmosféricas próximas induzem sobretensões nos cabos que descem do telhado. O DPS desvia essa energia para o aterramento antes que ela alcance o inversor. Do lado de corrente contínua ele deve ser específico para CC e para a tensão do arranjo; do lado de corrente alternada, outro DPS protege a ligação entre inversor e quadro. A maioria tem um indicador visual que muda de cor quando o módulo interno se esgota; DPS com indicador vermelho é DPS a substituir.

Aterramento e equipotencialização

As molduras metálicas dos módulos, os perfis da estrutura, a carcaça do inversor e a própria string box devem estar ligados ao sistema de aterramento da residência por condutores de seção adequada, com conectores próprios para alumínio quando for o caso. Isso garante que uma falha de isolação não deixe uma estrutura metálica energizada no telhado, e dá caminho de escoamento para a energia desviada pelos DPS. Sem aterramento, os DPS não têm para onde mandar o surto.

Cabos e conectores

Cabo solar é um cabo específico: isolação dupla, resistente à radiação ultravioleta e às variações de temperatura do telhado, com tensão de isolamento acima da do arranjo. Os conectores rápidos devem ser do mesmo modelo e fabricante nas duas pontas; misturar marcas, mesmo quando encaixam, é a causa mais frequente de conectores superaquecidos encontrada em inspeções. A crimpagem exige ferramenta própria, não alicate comum.

Disjuntor dedicado em corrente alternada

No quadro de distribuição da casa, a saída do inversor recebe um disjuntor exclusivo, dimensionado para a corrente máxima de saída, com etiqueta indicando que se trata do circuito de geração. É ele que permite desligar o inversor da rede sem mexer em mais nada.

Sinalização

A norma exige etiquetas de advertência no quadro geral, no padrão de entrada e na string box informando que o imóvel possui geração própria e que pode haver tensão mesmo com o disjuntor geral desligado. Parece detalhe burocrático; é informação vital para um eletricista que chegue à casa sem conhecer o sistema.

Checklist para o dia da entrega

Não é preciso ser técnico para conferir os itens abaixo. Vale pedir ao instalador que mostre cada um.

  1. A string box está fechada, com grau de proteção compatível com o local, e os eletrodutos entram por baixo ou pela lateral, nunca por cima.
  2. Há chave seccionadora CC identificada e acessível.
  3. Os DPS do lado CC e do lado CA estão presentes, com indicadores na cor de funcionamento normal.
  4. Os fusíveis, quando existem, têm a corrente nominal indicada no projeto.
  5. O condutor de aterramento verde-amarelo liga módulos, estrutura, string box e inversor ao barramento de terra.
  6. Não há cabos expostos ao sol sem proteção nem emendas fora de caixas.
  7. Os conectores do telhado são do mesmo modelo nas duas pontas, sem fita isolante fazendo papel de conector.
  8. O quadro tem disjuntor exclusivo para o inversor, etiquetado.
  9. As etiquetas de advertência estão no quadro, no padrão e na string box.
  10. O relatório de comissionamento registra tensão e corrente de cada fileira, teste de isolamento e medição de aterramento.

Um sistema que passa por esses dez pontos tem grande chance de envelhecer sem sobressaltos. Os que falham costumam falhar justamente nos itens invisíveis, e é por isso que vale a pena abrir a caixa cinza pelo menos uma vez.